TV Portal

Criminosos detonam explosivos contra três torres de energia elétrica durante a noite na Grande Fortaleza


(Foto: Rafaela Duarte/Sistema Verdes Mares)

Criminosos usaram explosivos para atacar três torres de energia elétrica em Fortaleza e Maracanaú, na Região Metropolitana da capital, durante a noite desta segunda-feira (1º). Não há registro de feridos, e a motivação para os crimes não foi informada pela polícia. Uma agência bancária também foi explodida por homens armados na madrugada desta terça-feira (2) na cidade de Granja, no interior, mas a polícia informou que não há relação com os ataques às torres.

O estado do Ceará registrou uma onda de ataques criminosos entre os meses de janeiro e fevereiro. Foram mais de 260 ações contra coletivos, prédios públicos, agências bancárias, viadutos e comércios em pelo menos 50 dos 184 municípios cearenses. O secretário da Segurança Pública do Ceará, André Costa, afirmou que a nomeação do secretário de Administração Penitenciária do estado, Luís Mauro Albuquerque, provocou a onda de ataque do início do ano.

Durante a noite desta segunda-feira, uma torre de energia elétrica da Companhia Hidrelétrica do São Francisco (Chesf) foi alvo de ataque com um artefato explosivo no município de Maracanaú. De acordo com o tenente-coronel da Polícia Militar Valderto, responsável pela região, houve uma explosão próximo à torre, mas sua estrutura não foi comprometida.

Outras duas torres da Chesf também foram alvos de explosões na Rua Júlio Brígido, no Bairro Pici, em Fortaleza. De acordo com a Polícia Militar, dois artefatos explodiram no local e um terceiro foi recolhido pelo Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate).

A polícia reforçou a segurança nos locais onde ocorreram as explosões em busca de localizar os suspeitos. No entanto, até as 7 horas desta terça-feira (2), ninguém havia sido preso.

Banco explodido

Já na madrugada desta terça-feira, uma agência do Banco do Brasil localizada na Avenida Raimundo da Cunha Brito, no município de Graça, foi atacada por assaltantes armados. Conforme a polícia, os bandidos explodiram a agência e metralharam um carro e o prédio da polícia da cidade.

Logo depois, eles invadiram o banco em busca de roubar o dinheiro, segundo a polícia. A Polícia Militar não soube informar se a quadrilha teve acesso ao dinheiro da agência. De acordo com as investigação, o crime não tem relação com as explosões nas torres localizadas na Grande Fortaleza.

Série de ataques criminosos

A série de ataques criminosos ocorrida em janeiro foi motivada pela nomeação de Luís Mauro Albuquerque para o cargo de secretário de Administração Penitenciária do estado. Até janeiro deste ano, o estado não tinha uma pasta específica para administrar os presídios, a Secretaria da Administração Penitenciária foi criada apenas em 1º de janeiro, quando tomou posse o governador reeleito do Ceará, Camilo Santana.

Áudios compartilhados em redes sociais, um detento diz que a sequência de crimes é uma tentativa de fazer com que o secretário da Administração Penitenciária, Luís Mauro Albuquerque, desista de medidas que tornam mais rigorosa a fiscalização no sistema penitenciário. "Vocês vão tirar esse secretário aí dos presídios. Vocês vão ver, vai piorar é pra vocês", ameaça um criminoso.

Reação do governo

·         Como resposta à onda de ataques, o governador do Ceará, Camilo Santana, adotou as seguintes medidas:
  • Pediu apoio da Força Nacional, Exército e Força de Intervenção Integrada
  • Um acordo com o governador da Bahia, Rui Costa, permitiu o deslocamento de 100 policiais militares baianos para o Ceará
  • Antecipou para agora a nomeação de uma turma de 220 novos agentes penitenciários, antes prevista para março
  • Nomeou 373 novos policiais militares, já formados
  • Uma vistoria em presídio apreendeu 600 celulares utilizados por detentos
  • Transferiu 39 presos membros de facções criminosas para presídios federais
  • Criou lei que prevê recompensa a quem denunciar autores de crimes e outras medidas rígidas contra o crime

·         Pelo menos 461 pessoas foram detidas por envolvimento nas ações criminosas, segundo a Secretaria da Segurança Pública do Ceará. Além das prisões, 39 presos de facções criminosas foram transferidos do Ceará para presídios federais, conforme o Ministério da Justiça.
    
     Fonte: G1 CE