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Pacientes desconhecidos no Ceará são identificados pela Pefoce


Saindo da rotina dos locais de crimes, onde geralmente se busca descobrir a causa da morte de uma vítima ou provas que apontem a autoria de delitos de diversas naturezas, os servidores do Laboratório de Identificação de Desconhecidos e Desaparecidos (LIDD) da Coordenação de Identificação Humana e Perícias Biológicas (CIHPB) buscam identificar pessoas que dão entrada em hospitais e abrigos sem documentação. Isso ocorre por meio da identificação papiloscópica (impressões digitais) dessas pessoas que geralmente buscam por ajuda nas unidades de saúde e abrigos sem documentos, sem acompanhantes e, em muitos casos, com o estado de saúde comprometido. Desde o primeiro paciente identificado que retornou para o seu lar, ainda na fase ‘experimental’, em 2015, o LIDD contabiliza cerca de cem pacientes devidamente identificados por meio da técnica papiloscópica, 50 deles em 2017.
Solicitações
Para solicitar o trabalho, os hospitais enviam um ofício para a CIHPB, requisitando o procedimento em favor desse perfil de paciente. A partir do recebimento do ofício, é contado o prazo de sete dias para que a equipe vá realizar a coleta.
Após receber as informações com a equipe médica e a assistência social do hospital, os servidores da Pefoce realizam uma espécie de entrevista com o paciente (quando há possibilidade cognitiva dele responder aos questionamentos). O intuito é recolher o máximo de informações sobre a pessoa para auxiliar na identificação e na localização de familiares. Durante essa visita, todas as impressões digitais são coletadas e encaminhadas para a Pefoce, onde são analisadas junto ao banco de dados – tanto civil, quanto criminal – da CIHPB.
Humberto Quezado, auxiliar de perícia e precursor do trabalho, relembra ainda que já conseguiu identificar pacientes desconhecidos que eram naturais de outros estados como, por exemplo, Pernambuco e Tocantins. Além da coleta de impressão digital e a verificação nos bancos de dados da CIHPB, existe ainda a integração com a troca de informações com peritos de outros Estados. “O que favorece ainda mais o nosso trabalho, aumentando de forma significativa o êxito nas pesquisas”, afirma Humberto.
Ele conta que o trabalho já identificou também foragidos da Justiça. “Quando isso ocorre, nós já alertamos ao hospital para que seja providenciada de imediato a escolta policial, além de avisar a Polícia Civil, por meio da Delegacia de Capturas e Polinter. Em casos como esses, estamos contribuindo para que a Justiça seja feita”, encerrou.
O trabalho desenvolvido pelo LIDD já ajudou muita gente, mas alguns casos sempre marcam na memória dos servidores que desenvolvem o trabalho. Para Humberto, o caso mais marcante em todo esse trabalho foi, em 2016, o reencontro de mãe e filha após 25 anos. Nascida no Ceará e naturalizada francesa – após ter sido adotada e levada para a França – Celine Jacquot (27), com o auxílio do pai adotivo, entrou em contato com a Pefoce e disse que tinha o desejo de rever a mãe. As duas não se viam desde a maternidade.
Celine tinha apenas algumas informações sobre a mãe que é cearense. Com os dados em mãos, os profissionais da Pefoce fizeram buscas no cadastro civil e compararam os dados de algumas pessoas até chegarem à mãe da Celine. Ela havia feito sua carteira de identidade pelo antigo órgão expedidor Secretaria da Segurança Pública (SSP). O encontro entre as duas ocorreu em fevereiro de 2016 e foi bastante emocionante. “Esse trabalho tem, sobretudo, um caráter humanitário e social. A sensação de poder ajudar a proporcionar encontros como esse é de dever cumprido. Enquanto profissional e ser humano. Sobretudo, poder ajudar uma filha que há muito tempo procurava pela sua mãe e vice-versa. Imagina o quanto é angustiante ter um parente e não saber onde ele está! A nossa intenção é de proporcionar esse reencontro, de dar uma resposta. A Perícia Forense tem se preocupado com casos dessa natureza”, reforça Humberto.
Fonte PEFOCE