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TECNOLOGIA - Chega ao Ceará o cabo de fibra ótica que liga América à África

Em evento realizado na Praia do Futuro, o governador Camilo Santana, o vice-prefeito Moroni Torgan e o CEO da multinacional Angola Cables, António Nunes, receberam o cabo de fibra ótica que vai interligar Brasil, por meio do Ceará, com Angola. O equipamento vai ampliar a velocidade de transmissão de dados entre os dois continentes
O propósito de transformar o Ceará em referência mundial nas conexões de dados ganhou força a partir desta quarta-feira (21). Fortaleza se conectou com Luanda, em Angola, com a chegada, na Praia do Futuro, do cabo de fibra ótica South Atlantic Cable System (Sacs), com extensão de mais de 6 mil quilômetros, que vai interligar as Américas com a África para ampliar a velocidade de transmissão de dados e potencializar o acesso à informação entre os continentes. O governador Camilo Santana, o vice-prefeito Moroni Torgan, e o CEO da multinacional Angola Cables, António Nunes, participaram da solenidade de retirada do cabo submarino.
Com a chegada do Sacs, o primeiro instalado no Atlântico Sul, o Ceará fortalece a Trinca de Hubs – formado pelos hubs de dados e telecomunicações (Sacs), aéreo (Gol/Air France/KLM) e portuário (Roterdã). O tripé permite mais geração de emprego e o consequente desenvolvimento econômico do estado cearense.
A intenção de toda estrutura do Sacs, de acordo o governador Camilo Santana, é colocar o Ceará na vitrine para o mundo. “Com essa conexão digital, queremos trazer empresas mundiais para o Ceará, em parceria com a Angola Cables, como a Microsoft, Amazon e Google. Vamos ser um grande centro de oportunidades”, destacou. “Concretiza-se, hoje, um sonho. Vai gerar oportunidade, emprego e desenvolvimento”, emendou o chefe do Executivo.
De acordo com o António Nunes, o cabo que foi retirado do mar, juntamente com a boia assinada pelo governador Camilo Santana durante o lançamento do projeto, em agosto último, vai trazer rotas de transmissão alternativas. “As comunicações são feitas do Sul para o Norte e, quando queremos trocar informação entre países do Sul, a exemplo de Brasil e Angola, teríamos de ir à Europa, Estados Unidos. Este cabo, portanto, vai fazer uma ligação direta. O tempo de comunicação é muito baixo, são cerca de 63 milissegundos (mais rápido que um piscar de olhos). Isso vai permitir que novos negócios digitais tanto no mercado sul-africano como no sul-americano”, explicou. O Data Center da multifuncional angolana no Brasil está instalado na Praia do Futuro. As operações começarão a partir de julho deste ano.
Para o secretário do Desenvolvimento Econômico do Ceará, César Ribeiro, o momento marca “o começo de uma nova era de tecnologia” para o Estado. “É importante para dar credibilidade ao investidor, além de condição e ambiência para que, quando ele vier para o Estado, ganhe não só incentivos fiscais, áreas e oportunidade de crescimento, mas, principalmente, essa questão de inovação e tecnologia, com armazenamento de dados e qualidade da informação e da velocidade de transmissão”, elencou.
E todo esse investimento, afirma Moroni Torgan, que representou o prefeito Roberto Cláudio durante o evento, dá maior qualidade de vida para o cearense. “A Prefeitura também vai entrar nessa área de capacitação, de acordo com a necessidade do mercado, especialmente no tecnológico”, acrescentou. Conforme a empresa angolana, a projeção, com o sistema, é de gerar mais de 800 empregos diretos e indiretos até 2030

Data Center e Cipp

Por meio da Secretaria do Desenvolvimento Econômico (SDE), o Governo do Ceará vai viabilizar estrutura que conectará o Data Center da Praia do Futuro ao Complexo Industrial e Portuário do Porto do Pecém (Cipp). A conexão vai permitir o desenvolvimento regional no que tange às telecomunicações, atendendo diretamente a Zona de Processamento de Exportação (ZPE) do Ceará.
Além do Sacs, outro cabo de fibra ótica da Angola Cables opera na Capital. Desde o fim de 2017, o cabo Monet inteliga as cidades de Santos, Fortaleza e Boca Raton, nos Estados Unidos. O equipamento possui mais de 10 mil quilômetros e capacidade de comunicação de pelo menos 60 terabytes (unidade de medida que opera como contadores de volume de dados em um sistema operacional). O Sacs apresenta a capacidade de 40 terabytes. Para isso, o investimento da multinacional no Estado é da ordem de U$$ 300 milhões – destes, U$$ 160 milhões é aplicado no Sacs.
Caio Faheina - Repórter 
Carlos Gibaja e Marcos Studart - Fotos