Iguatu - O adeus ao Bispo Emérito, Dom José Doth e o desabafo do Bispo Dom Edson

O corpo do bispo emérito da diocese de Iguatu, dom José Doth de Oliveira, 79 anos, foi sepultado, ontem, às 11 horas da manhã, na cripta da Catedral de São José, nesta cidade, após cerimônia religiosa que contou com a participação de seis bispos, três arcebispos e dezenas de padres e freiras. 
A missa de corpo presente foi presidida pelo arcebispo de Fortaleza, dom José Antônio Aparecido Tosi.


 Dom José Doth morreu no domingo passado, dia 26, às 17 horas, no Hospital Municipal São Sebastião, em Pedra Branca, sua cidade natal, decorrente de uma pneumonia. O religioso sofria de Alzheimer e renunciou ao cargo de bispo em 2009.Centenas de católicos lotaram a Catedral de São José que foi construída por dom José Doth, o segundo bispo desta diocese (2000 a 2009). Durante toda a cerimônia, o caixão com o corpo do religioso permaneceu no chão sobre o altar. Ao final, os bispos aspergiram água benta, proferiram as orações e o rito do funeral foi concluído com a condução do esquife por padres e seminaristas até a gaveta aberta por trás do altar.

Os ritos do funeral começaram na segunda-feira, 27, com celebrações de missas de corpo presente naquele centro urbano e em Mombaça. À noite o cortejo fúnebre chegou à cidade de Iguatu e o velório ocorreu na Catedral de São José com a celebrações de missas de duas em duas horas, ininterruptamente.
Homenagens
A CNBB nacional e a Regional Nordeste I, a diocese de Palmares (Alagoas) e o Santuário do Pai Eterno em Trindade (Goiás) enviaram notas de condolências à diocese de Iguatu.

arcebispo de Fortaleza, dom Antônio Tosi, lembrou trecho do Evangelho anunciado na missa em que há um lugar preparado na Casa do Pai para os justos. “Vimos entregar dom José Doth, o segundo bispo desta diocese, nas mãos do pai”, disse. “Era generoso, dedicado, construiu essa igreja, ampla, moderna, realizou seu sonho, era um artista, um servo bom, que continuou a obra de dom José Mauro, fortalecendo e unindo a Igreja”.
Dom José Doth era um arquiteto informal e restaurador de imagens sacras. Planejou, desenhou e pintou afrescos na Catedral, inaugurada em 2006. “Foram seis anos de muito trabalho e dedicação”, lembrou o bispo emérito e primeiro da diocese de Iguatu, dom José Mauro Ramalho. “Para ele, não havia limites”.
O atual arcebispo de Aracaju, dom João Costa, que sucedeu dom José Doth, na diocese de Iguatu, lembrou do seu compromisso com a igreja e da dedicação da obra da Catedral. “Foi um religioso simples, muito dedicado, que deixou essa obra física e outras ações imateriais a favor da igreja”.
A devoção a São José e a Maria Santíssima foi lembrada por vários religiosos presentes à cerimônia. “Vem José para mim, para o lugar que lhe preparei”, reforçou as palavras do Evangelho, o arcebispo dom José Antônio Tosi. “Ele já está com o pai e vai permanecer na nossa lembrança, no coração de seu povo”.
O bispo da diocese de Iguatu, dom Édson de Castro Homem, também enfatizou a construção da catedral criando um estilo próprio. “Nasceu aqui o estilo ‘dothiano’, pois ele projetou, pintou e deixou exemplos, que já são seguidos em outros templos”, pontuou. “Há o legado de uma obra e de um testemunho de fé. 
Enfrentou o sofrimento com serenidade”. Ao final, dom Édson de Castro fez um desabafo: “Sofreu incompreensões, foi criticado, e muitos deviam pedir perdão a Deus e a ele”.
O bispo dom Édson de Castro Homem referia-se ao fato da catedral ser dedicada à São José, e retirando esse status da antiga igreja Matriz de Senhora Sant’Ana (padroeira de Iguatu). Dom José Doth também enfrentou duas rebeldias de padres e de seus seguidores em Mineirolândia e Solonópole. “O tempo já mostrou que o bispo estava com a razão, foi mal compreendido”, observou o arcebispo de Fortaleza.
Em nome da família, o professor, Mário Ângelo, e o jovem vocacionado, Paulo Lucas Ferreira, agradeceram o gesto de carinho, os atos de solidariedade prestados nas homenagens fúnebres de dom José Doth. No cortejo fúnebre no interior da igreja, houve aplausos e alguns católicos e padres choraram. “Foi um pai para mim”, disse o sacerdote, João Batista Moreira.
Participaram também da liturgia de exéquias, o arcebispo emérito de Natal, dom Matias Patrício, os bispos de Quixadá, Ângelo Pignoli; de Tianguá, dom Edmilson Neves; o emérito de Limoeiro do Norte, José Haring.
Prefeito 
O prefeito de Iguatu, Ednaldo Lavor, prestou solidariedade à família e à Diocese de Iguatu e destacou o trabalho incansável de dom José Doth na edificação da Catedral. “Em apenas seis anos construiu com coragem essa igreja, e nos pregou a justiça e a solidariedade”.
Por Honório Barbosa/Diário do Nordeste 

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