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Operação Dissimulare: PCCE estima bloqueio de R$ 50 milhões em bens móveis e imóveis e apreende R$ 2 milhões em dinheiro e cheques



Além disso, tecidos avaliados em mais de R$ 100 milhões e aparelhos eletrônicos, entre outros produtos, também foram apreendidos 


Quantias em dinheiro aproximadas de R$ 1,01 milhão, 4,59 mil euros, 1,9 mil dólares, 1 (um) mil pesos chilenos e mais de mil unidades de cheques são os numerários apreendidos pela Polícia Civil do Estado do Ceará (PCCE) na primeira fase da Operação Dissimulare, deflagrada na última sexta (1º). Além dos valores, foram contabilizados 300 itens de joias, 21 relógios de luxo e 21 veículos, sendo uma motocicleta BMW e um carro Range Rover. As apreensões foram feitas durante a operação, realizada em combate a crimes de corrupção, lavagem de dinheiro, evasão de divisas e organização criminosa que eram cometidos em território cearense na aquisição de produtos da indústria têxtil. 

A Polícia Civil ainda estima que, em média, R$ 50 milhões, como empresas e residências dos investigados, foram sequestrados por ordem Judicial. Somente um dos imóveis é avaliado em mais de R$ 4 milhões. Além disso, tecidos avaliados em mais de R$ 100 milhões e aparelhos eletrônicos, entre outros produtos, também foram apreendidos. O balanço foi apresentado, nesta tarde (04), pelo secretário da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), André Costa; juntamente com os delegados Everardo Lima, delegado geral da PCCE; Rena Moura, diretora do Departamento de Polícia Especializada (DPE) da PCCE; e Márcio Gutierrez, que está à frente das investigações e é o titular da Delegacia de Crimes Contra a Administração e Finanças Públicas (DCCAFP).


Os materiais estavam na posse de suspeitos investigados na operação, envolvidos em um esquema de sonegação de impostos e lavagem de dinheiro na compra de produtos do ramo têxtil. “O importante é que a investigação não se resuma apenas em apreender bens ou em prender as pessoas, mas o foco tem que ser dado na lavagem de dinheiro. A gente identifica esse esquema de lavagem e a forma como o dinheiro ganhava um ar de legalidade. Através disso, nós podemos, então, recuperar esses bens e fazer com eles sejam recolhidos aos cofres públicos. Assim, podermos usar esses valores que o crime obteve para reinvestir em todas as pastas do Estado, inclusive na própria Segurança Pública”, declara André Costa, sobre o intuito de a operação ser também recuperar as quantias das mãos dos criminosos para investir em benefícios aos cearenses. O gestor ainda revelou o desejo de atuar nesse sentido no combate a outros crimes, como o tráfico de drogas. 


O trabalho investigativo desestruturou um esquema de compra de mercadoria têxtil com sonegação de impostos, que chegou a refletir em um prejuízo de mais de R$ 300 milhões aos cofres públicos. Ao todo, 13 mandados de prisão e 37 de busca e apreensão foram cumpridos. A ofensiva foi organizada pelo DPE da PCCE, com o apoio da Secretaria da Fazenda (Sefaz), e contou com a atuação de 160 policiais civis. Dentre eles, 40 delegados de várias delegacias especializadas.

A operação Dissimulare é resultado de investigações iniciadas pela DCCAFP, há pouco mais de um ano, sobre as ações ilícitas de pessoas que compravam produtos do ramo têxtil sem o pagamento dos devidos impostos. De acordo com os levantamentos policiais, estima-se que os suspeitos realizaram uma movimentação financeira em um período de quatro anos que ultrapassa a cifra de R$ 1 bilhão sem o recolhimento de impostos, o que causou prejuízo de mais de R$ 300 milhões aos cofres públicos. “O trabalho policial buscou apurar a atuação de uma organização criminosa que se instalou no Ceará com a finalidade de sonegar impostos na aquisição de insumos da indústria têxtil”, explica o delegado Márcio Gutierrez. Os levantamentos apontaram que os investigados se utilizavam de empresas de fachada constituídas por sócios “laranjas”, criadas para adquirir os produtos em outros estados e, em seguida, repassá-los a empresas ligadas ao esquema. “Só de ‘laranja’ nós catalogamos mais de 100”, fala Gutierrez.


“Com a investigação da Policia Civil, foi possível então identificar essa empresas mesmo fantasmas, os ‘laranjas’ e os responsáveis por essas empresas. A investigação conseguiu identificar tudo isso e através dessa revelação é que se chegou a esses volumes”, detalha o gestor da SSPDS, ao mencionar também que a Dissimulare terá outras fases. “Iniciou-se com 17 empresas. Hoje, já temos 46 catalogadas que foram utilizadas nesse esquema e precisamos fazer o apanhado da participação de cada uma delas”, continua o titular da DCCAFP.

Presos 

Os desdobramentos sobre a teia criminosa levaram os policiais aos envolvidos e às suas respectivas participações no delito. Os 13 mandados de prisão foram cumpridos contra o núcleo da organização criminosa: Marcus Venicius Rocha Silva (54), que é o presidente do SindConfecções Ceará, Francisco de Assis Neto (50), Maria Soraia de Almeida (27), Suzi Cardoso Lima (34), Daniel Rocha de Sousa (43), Bruno Rafael Pereira Carvalho (34), José Orlando Rodrigues de Sena (49), Mirtes Coutinho Carvalho (59), Natalia de Souza Costa (28), Thamara Almada do Nascimento (26), Antonio Batista da Silva (45), Paulo Sérgio Coutinho de Almada (50) e Antonio Alves Brasil (52). Entre os presos estão empresários e contadores e os dois últimos são auditores da Secretaria da Fazenda (Sefaz). Alguns deles já possuem passagem pela Polícia.

Outros suspeitos seguem foragidos, entre eles, o chefe do bando: Jovilson Coutinho Carvalho, com dois mandados de prisão em aberto, que começou a atuar no mundo do crime em atividades de roubo de carga e criou essa sistemática criminosa; e Carlos Andre Maia Sousa e Francisco José Timbo Farias, que atuavam como uns dos operadores do esquema. “É questão de honra pra Polícia Civil e para as Secretarias da Segurança Pública e da Fazenda a prisão do Jovilson”, enfatiza Márcio Gutierrez. O delegado também frisa que esses últimos são os dois mais ativos dentro do esquema e que um deles é o responsável por ter administrado empresas que hoje devem mais de 55 milhões ao Fisco. 

Caso alguém tenha informações sobre o paradeiro dos suspeitos, denúncias podem ser feitas para o disque denúncia da SSPDS, pelo número 181, ou para a Delegacia de Crimes Contra a Administração e Finanças Públicas (DCCAFP), pelos números 3472.6687 e 3272.6831. O sigilo é garantido.

Fonte: SSPDS