TV Portal

Crônica - A politização da violência em Pedra Branca.

Foto Arquivo Daniel Som

Sempre que ocorre um fato novo no tocante a onda de violência que vem assolando Pedra Branca nos últimos anos, o clamor social e a indignação chacoalha nossas vísceras e enche nossas bocas de sangue. É terrível a sensação de impotência ao assistir conterrâneos-irmãos tombarem dia após dia. É inevitável, escutar no âmago, a pergunta que não quer calar: quem será o próximo?
A comunidade se acinzenta, familiares e amigos sufocam o choro e a revolta na garganta, as redes sociais promovem a partidarização do tema e no outro dia... no outro dia a cidade acorda mais uma vez na defensiva.
Pedra Branca nunca esteve tão violenta como nos dias atuais. Nesse ponto não há o que discutir. Embora, nosso histórico de barbárie tenha raízes mais antigas e proporcionalmente amargas.
Quando menino, escutava com atenção as histórias antigas de brigas e assassinatos na rua do Bagaço. Eram sábados tenebrosos, com mortes regadas a requintes de crueldade que ainda hoje povoa meu imaginário. A violência, naquela época, rondava redutos relacionados ao consumo do álcool, como a região do antigo cabaré e em bares do centro da cidade. Existiu um momento em que os atos de violência eram elitizados, lavou-se muita honra com sangue em meu torrão natal, sempre impunimente. Já na minha adolescência o cume da violência tinha se transferido ao bairro Santa Úrsula. Ali um misto de pobreza com famílias remanescente de jagunços fazia daquele bairro um pavio de pólvora. Salve engano foi o então prefeito Antonio Rodrigues de Oliveira que construiu ali um posto policial, dada a situação de conflitos existentes. Em seguida, já adentrando na década de 90, com o levante da população rural e o auge das usinas de cana de açúcar no interior do Estado de São Paulo, surgia em Pedra Branca um novo bairro, há época, conhecido como "Matadouro", em virtude do Matadouro Público Municipal ter sido construído naquela região. Ali, "afastado" do centro da cidade, tornou-se um local que pra mim simboliza o êxodo rural de nosso município. Os rapaz e homens seguiam pra os canaviais no Sudeste do país e ao angariar recursos compravam lotes e construíam casas, trazendo seus familiares dos sítios e locando naquele espaço. A partir dessa premissa, ao regressarem do longínquo trabalho, alguns não traziam nas malas apenas saudades e gírias. Chegavam também de forma comercial as drogas químicas na Serra de Santa Rita. O "Matadouro", hoje bairro Santa Maria (ou Betel???), fez jus a alcunha e se tornou naquele momento, o mais perigoso da terrinha (atualmente o Santa Maria é o mais populoso bairro do município. Estima-se que o total de seus habitantes superam a população​ de toda a região do Distrito de Mineirolândia. Tendo forte economia local). Logo depois foi a vez da Vila do Padre de alardear esse terrível título.
Hoje, a violência não se restringe a um bairro ou a uma região única do município. De fato, a barbárie humana amedronta toda a cidade.
A politização do drama não ajuda. Ela apenas empobrece uma discussão que poderia ser mais larga, mais frutífera. Ela tira o foco dos verdadeiros culpados e das condições propícias para o seu desenvolvimento. Digo isso com a autoridade de quem nunca elegeu um culpado a nível paroquial para a questão em cerne. Nem Chico, nem Pedro, nem Antonio. Nem eu e nem você. O gargalo da violência no país é epidêmico, com índices estratosféricos em cidades pequenas como Pedra Branca e requer políticas públicas urgentes em seu enfrentamento. Lembram nas UPP's do José Mariano Beltrame no Rio de Janeiro? Endeusadas na época desmoralizadas hoje? E a Cracolândia em São Paulo?
Então, o que fazer? De fato não é simples. Rudolph Giuliani não teria implantado tolerância zero à criminalidade em Nova York se reproduções televisivas se aproximasse tanto da realidade em seu país como "Tropa de Elite" e " Brado retumbante" se aproxima no Brasil.
A violência em Pedra Branca hoje é fruto do tráfico de entorpecentes, das guerras entre facções rivais; de uma força policial totalmente desproporcional a demanda corrente; da falta de investimento em segurança pública; da cultura do "TER" que impera numa sociedade cega pelo consumismo irresponsável e se reproduz na ganância de muitos, na construção de uma sociedade desigual, injusta. Ela se aloja no seio da família, na ausência da autoridade paterna, na falta do credo em um ser superior, nas brechas deixadas por uma educação aquém do seu compromisso original, e, principalmente, na falta do AMOR ao próximo.
Somos todos vítimas, e alguns de nós, também culpados.
Deus salve a minha PEDRA BRANCA!

Autor: Professor Jayro Nikson