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Seis municípios cearenses estão com a operação carro-pipa suspenso pela defesa civil

Sem o fornecimento de água por parte da Defesa Civil, as populações afetadas, como a de Pereiro, estão se virando como podem; uma das alternativas é pagar R$ 30,00 por mil litros fornecidos por caminhões particulares ( Foto: Honório Barbosa )

Moradores das cidades de Pereiro, Boa Viagem, Pedra Branca, Alto Santo, Campos Sales e Iracema enfrentam grave crise de abastecimento. Os reservatórios secaram e a dependência por caminhões-pipas aumenta a cada semana. Nos últimos dias, o quadro complicou-se com a suspensão da distribuição de água nas áreas urbanas por veículos contratados pela Comissão Estadual de Defesa Civil (Cedec), que aguarda repasse de recursos do Ministério da Integração Nacional.

A descontinuidade no fornecimento de água varia entre as cidades. Em Pereiro, por exemplo, desde janeiro passado que os caminhões pipa que deveriam abastecer 13 reservatórios de cinco mil litros espalhados pela cidade foram suspensos. "Já solicitamos a retomada do serviço, mas ainda não temos uma resposta", disse o secretário de Meio Ambiente e coordenador da Comissão Municipal de Defesa Civil (Comdec), Jobenemar Carvalho dos Santos. "Estamos com o caminhão do PAC atendendo os órgãos públicos".

A população de Pereiro sofre com a falta de água e, para beber e cozinhar os alimentos, não há outra alternativa a não ser comprar o recurso hídrico fornecido por caminhões particulares de poços da região ao preço de R$ 30,00, mil litros. O açude que abastecia a cidade, Adauto Bezerra, secou há mais de dois anos. Apenas no centro urbano, há um pouco de água nas torneiras, mas de oito em oito dias.

Caminhões da Operação Pipa do Exército ainda fazem a distribuição de água em áreas rurais, em 90 comunidades, mas o secretário Jobenemar dos Santos estuda a possibilidade de reduzir o número de 19 rotas atuais, tendo em vista que, em algumas localidades, as cisternas domésticas e pequenos reservatórios receberam recarga de água durante a quadra chuvosa.

A esperança dos moradores de Pereiro é a conclusão da adutora de 38 km que vai captar água da localidade de Mapuá, nas margens do Rio Jaguaribe, e bombear para enfrentar a força da gravidade, subindo a serra. A obra é de responsabilidade do Dnocs e está atrasada. Enquanto isso, os moradores pedem pelo menos a volta dos caminhões pipa da Defesa Civil. "Seria um alívio porque a gente passa de cinco dias ou mais sem ter água nessas caixas", disse o morador, Antonio Salvino da Silva Filho, 52 anos. "A situação aqui é muito grave". Pelo menos 15 caminhões particulares abastecem a demanda dos moradores.

Na cidade de Pedra Branca, os moradores também enfrentam dificuldades de abastecimento. De acordo com o diretor do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE), Gilberto Souza, há pelo menos 17 dias, o fornecimento de água por caminhões da Defesa Civil está suspenso. "A Prefeitura contratou veículos para cobrir as rotas. A nossa expectativa é de retomada dos serviços em 10 dias". Existem 60 caixas de água de cinco mil litros espalhadas em Pedra Branca. A água é captada na Estação de Tratamento de Água (ETA) de Tauá, distante 124km.

A gestão municipal de Boa Viagem reivindica do governo do Estado a implantação de uma Adutora de Montagem Rápida (AMR) a partir do açude Umari, distante 40 km. A crise hídrica já atinge os moradores há pelo menos dois anos e é considerada uma das mais graves do Interior. Mais de 150 poços profundos foram perfurados, mas logo secaram. A assessora técnica da Cedec, Ioneide Araújo, confirmou que o repasse de recursos está atrasado entre o Ministério da Integração e o órgão estadual. "Até fim de abril, houve atendimento em algumas áreas urbanas", disse. "O Ministério está ultimando as providências e logo deve repassar a verba".

Liberação

A Cedec aguarda a liberação total de R$ 20 milhões, que dependendo da demanda, pode ser suficiente até o fim do ano. Mediante o quadro de turbulência política, Ioneide Araújo teme um atraso ainda maior na liberação da verba. "Assim que o dinheiro chegar na conta, os carros serão novamente contratados. Já temos uma logística de distribuição", frisou a assessora técnica. "Nas cidades, por causa do aglomerado de pessoas, a escassez de água gera maior tensão social".

Localidades

6 cidades tinham a zona urbana abastecida por caminhões pipas contratados pela Cedec: Pereiro, Boa Viagem, Pedra Branca, Alto Santo, Campos Sales e Iracema.


Fonte Diário do Nordeste